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A analogia entre Tempo e Clima Meteorológico ajudam a evidenciar a importância da gestão estruturada do conhecimento em sua organização

Diariamente nos deparamos com alguns parâmetros meteorológicos que – quase sempre – são o assunto preferido dos usuários de elevadores. “Nossa, como está quente hoje!” ou “Será que vai chover?”

Independente de onde moramos ou da classe social a que pertencemos, todos nós paramos para prestar atenção neste assunto. O motivo deste interesse comum é simples: o Clima tem interferência direta sobre todos!

Aqui vale uma pausa: Clima ou Tempo?

O que muita gente desconhece é que Tempo e Clima são termos diferentes, designam fenômenos distintos e são, portanto, analisados por profissionais de diferentes áreas do saber.

Tempo é a condição meteorológica naquele momento ou em um curto período de tempo, é um estado momentâneo da atmosfera. Clima está relacionado a um período de tempo maior, uma configuração mais permanente e, por consequência, confere característica ao local. Em outras palavras: o Tempo é uma “foto”, a forma como os parâmetros meteorológicos e os fenômenos naturais estão se manifestando naquele determinado período de tempo cronológico. Já o clima representa o histórico de manifestação deste tempo meteorológico. Ele caracteriza a região, define o tipo de solo, classifica e determina o tipo de vegetação que irá predominar naquele local, dentre diversas outras características.

O que frequentemente passa despercebido sob nossos olhos é que tempo e clima estão longe de ser apenas um “quebra-gelo” durante um bate-papo no elevador.

Todas as ações do homem, de comunidades, das organizações privadas ou públicas, dependem da análise, interpretação e acionamento de tarefas e projetos diretamente relacionados às características do clima local. Por exemplo: a Construção de Rodovias frequentemente requer a canalização de pequenos riachos ou construção de pontes. Esta canalização deve considerar não apenas o volume de chuvas daquele período, ou seja, não apenas uma “foto” do tempo naquele período. Deve sim levar em conta todo o histórico de precipitações, tempo de retorno das chuvas, localização na bacia geográfica, tipo de pavimentação utilizada, velocidade de escoamento, dentre diversas outras variáveis que irão definir a largura ideal (ou diâmetro) daquela tubulação.

Em resumo: a análise restrita ou unilateral de qualquer um destes elementos levará ao fracasso do projeto da canalização do riacho. Por consequência, pontes podem cair, barrancos desmoronar, estradas podem ser obstruídas. Repentinamente, o projeto que estava a todo vapor simplesmente PARA!

Este assunto lhe soa familiar?

Analisemos: o líder do projeto tinha acesso a uma riqueza de informações, fatos, dados, conhecimentos técnicos, tácitos e explícitos de múltiplas fontes: do engenheiro, do arquiteto, do mestre de obras, do hidrólogo, do construtor e – por que não – da comunidade local, que conhecia as particularidades daquele pequeno e aparentemente inofensivo riacho. Entretanto, a Gestão do Conhecimento foi claramente ignorada.

Vamos expandir nosso raciocínio! Vamos analisar a realidade das organizações diante do gerenciamento de seu ativo intangível mais precioso: o conhecimento.

Infelizmente, muitas organizações tratam o conhecimento de suas instituições e de seus colaboradores como se fosse o “tempo meteorológico”. Ou seja, diante de um problema (entrega de um relatório, metas trimestrais, um projeto etc), muitas empresas apenas reagem e utilizam elementos e parâmetros pontuais para resolver determinada questão.

Se estas mesmas organizações resolvessem agir no aspecto do “clima” e não do “tempo” do conhecimento, veriam que – assim como o tempo meteorológico – o gap técnico a ser resolvido é apenas um problema, um momento, uma variável. Na verdade a solução da maior parte dos problemas será alcançada por meio da interface entre as múltiplas variáveis, da análise das ações históricas e dos aprendizados organizacionais de seus colaboradores.

Ora, o responsável pela leitura do hidrômetro detém um detalhamento de informações surpreendente. Contudo, é a disseminação deste conhecimento técnico e – principalmente – a aplicação integrada dos conhecimentos do hidrólogo, do mestre de obras, do construtor e dos demais agentes que fazem parte daquele sistema que garantirá o sucesso da canalização do riacho, e de todas as demais ações e projetos que a sua organização venha a realizar.

Em outras palavras, faz-se necessário realizar a Gestão e Climatização do Conhecimento. Ou seja, assim como no caso do clima, abordar as várias interfaces no negócio com uma visão ampliada, e assim garantir a implementação de ferramentas, métodos, atividades, práticas e processos de forma a capturar, disseminar, compartilhar e aplicar o conhecimento adquirido, sempre considerando as características e particularidades da organização.

Vamos lembrar, as características geográficas, a chuva e o sol são elementos isolados. É apenas a partir da combinação destes elementos que teremos a formação do clima local. Em resumo, a Gestão da Informação poderá resolver problemas pontuais, mas é apenas a Gestão do Conhecimento que levará a sua organização a outros patamares, à evolução e à obtenção de excelentes resultados!

 

* Cibelle Ferreira é consultora da Impakt, atua em Gestão do Conhecimento e Gestão da Inovação

  • Gerson Gilgen

    Parabéns Mônica, você conseguiu em poucas palavras alinhar todo o processo de desenvolvimento dos processos empresariais, ato esse que poucos profissionais conseguem fazer
    Gerson Gilgen – OCTOPUS Consultoria Empresarial – Joinville, SC

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